Whisky

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terça-feira, 19 de abril de 2016

Desvendando Nº 38: J & B Rare


A história do Justerini & Brooks é um pouco diferente da de outras dinastias do whisky, pois o protagonista é italiano, e não escocês. Em 1749, Giacomo Justerini viajou da Itália natal para Londres atrás de uma cantora de ópera por quem havia se apaixonado. A jornada foi mal-sucedida do ponto de vista romântico, mas Giacomo, de uma família de destiladores de licor, ficou em Londres e se uniu a George Johnson para formar a Justerini and Johnson Wine Merchants. Em 1779, eles publicaram o primeiro anúncio de scotch de que se tem registro, no London Morning Post.

Mais tarde Giacomo voltou para a Itália e george Johnson foi morto por um cavalo em fuga. A firma seguiu na família de Johnson até 1831, quando Alfred Brooks, um empresário que havia percebido o potencial do blended whisky, comprou o negócio e mudou o nome para Justerini & Brooks.

Junto com o Johnnie Walker, a marca J & B dá à Diageo a invejável responsabilidade de possuir os dois blended scotch mais vendidos do mundo (porém, o 3º colocado, Ballantine's, é o nº 2 em termos de valor).


O J & B Rare é o Scotch whisky nº 1 da Europa, nº 2 no mundo e seus mercados principais são Espanha, França, Portugal e Turquia. Importantes mercados fora da Europa incluem África do Sul e EUA. Juntando todos eles, cerca de duas garrafas de J & B são vendidas a cada segundo.

Os primeiros donos da empresa começaram comprando, na Escócia, estoques de whisky envelhecido em meados do século XIX, mas só nos anos 30 desenvolveram o J & B Rare. Sua cor clara foi idealizada tendo em mente os EUA, onde ele prosperou depois do fim da Lei Seca. Durante os 40 anos seguintes, o sucesso continuou inalterado, com as vendas alcançando 3 milhões de caixas por ano nos anos 70.

A propriedade passou da United Wine Traders para a IDV, e depois para a Grand Metropolitan, a United Distillers e, por último, para a atual maior corporação de whisky, a Diageo. Como tantas outras marcas, as ligações familiares foram cortadas há bastante tempo, mas a lembrança distante da dinastia de bebidas hoje extinta ainda perdura.

Expressões atuais de J & B incluem J & B Rare, Jet (a marca líder nos bares da Coréia do Sul), e o 15 Years Old Reserve, vendido somente na Espanha e em Portugal. Um blend dirigido ao mercado jovem, chamado J & B -6ºC, que tentava fazer da filtragem a frio uma virtude, foi recentemente recolhido.


O que pude perceber:
Cor: palha claro, médio corpo.
Aroma: cereal, seco, um pouco de álcool proeminente, leve, suave, cevada maltada e caramelo. Dá para notar que também é frutado e possui um toque sutil de fundo esfumaçado, mas muito pouco. Com um pouco de água fica ainda mais leve, suave e doce. Destacam-se os aromas de frutas. Aquele toque sutil de fumaça some. Com uma pedra de gelo, definitivamente os cereais tomam conta, ficando ainda mais leve e seco.
Paladar: baunilha e malte, seguidos pelos cereais sentidos no aroma. Leve dormência na boca. Com um pouco de água suas características se mantém, porém de forma mais suave. A sensação de dormência na boca some. Com uma pedra de gelo, caramelo, baunilha e cereais. Fica doce e refrescante. Agora, nada de fumaça.

É um whisky que lembra muito os whiskeys irlandeses, com a influência dos cereais secos e doces. A água acentua esta semelhança, com ênfase nos cereais. Whisky bem  comum e simples mas que sempre tive curiosidade em experimentá-lo, devido a ser bem vendido nos EUA. Assista um filme onde apareça um bar e achará com facilidade o rótulo amarelo estampando a prateleira.

Minha expectativa era encontrar um whisky forte, encorpado. Pelo contrário, encontrei uma bebida bem suave. Para quem gosta deste tipo de whisky, este é uma boa pedida para beber com gelo, principalmente em dias quentes. Boa opção também para quem curte os whiskeys irlandeses.




J & B Rare
Blend Teor Alc 40%

Blend altamente característico, usa cerca de 42 scotch whiskies de malte e de grão diferentes. Single malts de Speyside de alta classe como Knockando, Glen Spey, Auchroisk e Strathmill formam a parte central do J & B, mas o defumado delicado sugere uma influência de Islay. Um frutado de maçã e pera, com notas de baunilha e doçura de mel, é realçado por um fundo moderado de turfa. Um whisky altamente distinto.



2 comentários:

  1. Olá Michel, acho que tenho a mesma sensação que você teve: J&B, um whisky muito conhecido, que existe em todos os bares e restaurantes, e eu nunca o provei. Também ouvi falar que é ruim e muito forte no álcool. Mas já provei o J&B 15 anos e ele me lembrou características de destilarias próximas ao mar, como Old Pulteney 12 e Bunnahabhain 12, só que bem mais leve e mais suave. Quanto ao sabor de Islay, você acertou porque o alemão Horst Luening em seus vídeos diz que no J&B é usado o Caol Ila. Abraços!

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  2. Boa noite Cesar. Obrigado por seus comentários, enriquece bastante o debate. Eu o achei suave, mas o álcool é perceptível sim, como na maioria dos blends standard, podendo ser driblado com um pouco de água ou gelo. O J&B 15 ainda não tive a oportunidade de experimentá-lo mas, pelas suas descrições, deve ser muito bom. E foi uma grata satisfação descobrir que o Caol Ila faz parte da composição do J&B, pois sem sombra de dúvidas, é um excelente whisky. Um abraço.

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