Whisky

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Desvendando Nº 15: The Macallan Fine Oak 12 Anos


A destilaria Macallan foi licenciada por Alexandre Reid em 1824, com o nome de destilaria Elchies, próximo a um vau do rio Spey, em Easter Elchies, e a mansão feudal da região também se tornou parte dela.  Era uma operação em pequena escala, realizada em paralelo aos negócios rurais. Em determinadas épocas do ano a região se tornava boa travessia para os boiadeiros rumo aos grandes mercados do sul. Como era próxima ao vau, a fazenda se transformou no ponto em que os boiadeiros descansavam, compartilhavam histórias, compravam whisky.

Após várias mudanças de comando, foi comprada por Roderick Kemp em 1892, quando contava com uma produção anual de cerca de 180 mil litros. A destilaria foi expandida e permaneceu sob o controle da família até 1996, quando foi comprada pela Highland Distillers (que faz parte do Edrington Group).


Durante a década de 1950, The Macallan se tornou um dos whiskies favoritos para compor blends. Em 1975, o número de alambiques subira para 21, e em 1979 Allan Schiach, descendente americano de Kemp, assumiu o controle da empresa, que passou a maturar seu destilado em barris de xerez. A companhia passou a comprar os próprios tonéis em Jerez, na Espanha.  Seu whisky era comercializado sob o nome Macallan-Glenlivet até 1980. Atualmente o Macallan é um dos mais premiados single malts do mundo.


Na destilaria, pequenos alambiques de espírito se apoiam acima de seus condensadores. Devido à sua pequenez, há menos contato entre o vapor e o cobre dentro dos alambiques, o que resulta num destilado mais pesado. Para criar complexidade e aumentar o contato do vapor com o cobre, acrescentou-se fogo direto no alambique, bem como uma operação de forma lenta. O pescoço pequeno indica que há pouca chance de refluxo. O Macallan é um espírito novo, untuoso, maltado, profundo, mas fundamentalmente doce. E é de opinião, deixa claro desde o início que não será dominado pelo carvalho.


Carvalho na Macallan significa tonéis reservados de ex-xerez, cuja construção, compra e administração é supervisionada pelo mestre de madeira George Espie. Como tem sido tradicional em Jerez há séculos, é usada uma mistura de carvalho europeu (Quercus robur), com seus aromas de cravo e frutas secas e tanino mais elevado, e carvalho americano (Quercus alba), todo baunilha e coco, dando dois segmentos de sabor muito diferentes para manipular, e muitas variações intermediárias.

O que foi inesperado para muitos aficionados do Macallan foi o lançamento, em 2004, da linha Fine Oak, uma edição paralela envelhecida predominantemente em carvalho americano de Bourbon. Sua chegada deixou alguns possessos. Acontece que o Macallan tinha sido acondicionado em carvalho americano por muitos anos, mas sua reputação se construiu em cima do fato de ser um single malt com 100% de envelhecimento em xerez.


A linha Fine Oak não diminuiu a personalidade do Macallan, revelando mais dos tons de cereal e de frutas suaves, porém o argumento de venda “exclusivo em xerez”, deixou de se aplicar.

A controvérsia final foi a recente reclassificação do whisky como uma marca de luxo. Há acusações de que o luxo simplesmente significa consumo supérfluo de produtos caros. A Macallan se defende dizendo que as pessoas estão cada vez mais interessadas nas histórias por trás das marcas, e o luxo está nas histórias, no que é falado, não é fútil. Também significa que as pessoas tem de investir e acreditar que a Macallan gasta mais no seu whisky do que qualquer outro.


O que pude perceber:
Aroma: carvalho e baunilha. Complexo, cheiro de grama cortada, frutado, com leve toque apimentado. Assim que derramei algumas gotas de água, imediatamente os aromas foram intensificados, porém, acentuou mais a baunilha. Bem perfumado. O cheiro da grama cortada se transforma em cheiro de terra molhada. Com uma pedra de gelo fica mais fresco, sente-se mais as especiarias e sobressai o barril de Bourbon.
Paladar: leve, frutado e um pouco apimentado. Final de médio para longo. Com água, nos mesmos moldes ao que acontecera com o aroma, fica mais intenso. Com gelo fica ao mesmo tempo fresco e picante.

Encorpado, cor natural, sem adição de caramelo. Comprei este whisky sem muita pretensão, porque fazia parte da composição do Famous Grouse, que eu apreciava antes de conhecer definitivamente o mundo do whisky. Nem conhecia sua fama. Foi o legítimo tiro no escuro. E acertei.

É um whisky que fica bom de qualquer jeito, puro, com água, com gelo. Cabe ao apreciador verificar como ele irá beber. Na minha opinião, com uma pedra de gelo ou puro. Existem várias versões de Macallan. A minha, adquiri em um Free Shop ao preço de U$ 41,00. Nas lojas brasileiras custa em torno de R$ 440,00. É uma versão de 12 anos da linha Fine Oak, de caixa marrom. Atualmente a garrafa está sendo vendida com caixa azul.

Ainda bem que existem estas versões mais "acessíveis" para poder apreciar uma boa bebida a um bom preço, pois os preços da Macallan não são baratos, com expressões atingindo R$ 750.000,00. Isso mesmo, não errei nos zeros.

O que eu e a Macallan temos em comum? Também acho que o luxo está na história por trás de cada garrafa.



The Macallan Fine Oak 12 Anos


Single Malt: Speyside Teor Alc 40%


Com menos influências de xerez do que o padrão 12 anos, neste revela-se um pouco mais do caráter de maltado, fresco e revigorante da destilaria.


Saúde.












Fonte: Whisky de A a Y, O atlas mundial do whisky, o livro do whisky, whisky

13 comentários:

  1. Boa tarde, parabéns pelo blog, já tive a oportunidade de beber esse The Macallan fine oak azul, simplesmente divino, não durou mais de dois dias, perfeito este é meu preferido até então, não resisti e adquiri recentemente o Âmber, mas devo prová-lo somente em 2015, se souber algo a respeito fique a vontade para comentar.
    Abraço.
    Paulo

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    1. Olá Paulo.
      Realmente o Macallan Fine Oak é um excelente whisky. Quanto ao Amber, ele é resultado de uma tendência que vem sendo adotada por várias destilarias. Como estocar os maltes por muito tempo se a demanda só vem aumentando ultimamente? A saída é criar rótulos sem especificação de idade, o que vale dizer que whiskies mais jovens entram na composição. O que não vale dizer que a qualidade seja inferior. A Macallan lançou uma série com quatro rótulos: Gold, Amber, Sienna e Ruby, refletindo as cores reais dos whiskies desta série. No mercado brasileiro, estão à venda o Amber e o Ruby, o que equivaleriam, em termos de cor e sabor, a um 12 e 18 anos, respectivamente. O Amber é maturado exclusivamente em barril de xerez, possui um aroma de baunilha, limão e gengibre, com um sabor frutado de maçã com um pouquinho de canela. Espero que aprecie. Vai esperar até 2015 mesmo?

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    2. Acredito que sim, afinal só faltam 15 dias.
      obrigado pela atenção
      Abraço

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  2. Michel, boa tarde! Em primeiro lugar parabéns pelo blog e principalmente por essa postagem, muito esclarecedora. Porém me restou uma dúvida. No corpo do texto você cita que o preço médio do Fine Oak 12 anos no Brasil gira em torno de R$ 440,00 reais (paguei exatamente esse valor na garrafa que comprei), o que é um pouco "salgado" para quem quer apreciar esse belo whskiy com frequência.
    Diante disso lhe pergunto, você compra suas garrafa aqui no país, viaja muito ao exterior para comprá-las ou utiliza algum site internacional que despache mercadorias para o Brasil?
    Mais uma vez parabéns pelo Blog!
    Boa tarde!
    Fernando.

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    1. Bom dia Fernando. Que bom que tenha gostado do blog. Realmente, com os preços praticados no Brasil fica difícil apreciar bons whiskies com a frequência de que gostaríamos. É impraticável. Eu adquiro as garrafas que são mais caras, sempre que posso, em viagens ao exterior. É muito mais barato. Aproveito então para reforçar o estoque.
      Um abraço e continue acompanhando os posts.

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  3. Saudações Michel.

    Adquiri um fine oak hoje.

    Ainda estou namorando ele... Mas é bem mais marcante que o Glenfiddich ou o Glenlivet 12 anos.
    Depois volto a comentar sobre ele.

    Um abraço.

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    1. Realmente é bem mais marcante que os outros dois Heliton. Mande seus comentários depois. Abraço.

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  4. Caro Michel Hansen
    parabens pelo blog, bastante precisas suas informações. sou fã do johnnie walker, mas recentemente descobri o The Macallan e fiquei muito entusiasmado. até o momento, só degustei o Select Oak (2 garrafas, hehe). o que vc me sugere para a próxima compra ? o Amber, o 12 anos, ou o Ruby ?
    parabens mais uma vez pelo blog.
    saudações.

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    1. Boa tarde. Que bom que tenha gostado do blog. Procuro trazer informações sempre atuais e idôneas. Quanto ao Macallan, é um whisky excepcional, quaisquer que sejam suas versões. Na minha opinião, sugiro uma escalada de sabores: 12 anos, amber, sienna e ruby. Um abraço.

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    2. Boa tarde. Que bom que tenha gostado do blog. Procuro trazer informações sempre atuais e idôneas. Quanto ao Macallan, é um whisky excepcional, quaisquer que sejam suas versões. Na minha opinião, sugiro uma escalada de sabores: 12 anos, amber, sienna e ruby. Um abraço.

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  5. Olá
    Parabéns pelas postagens.
    Uma dúvida: o rótulo branco mudou para o azul? apenas isso?
    Grato

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    1. Obrigado Paulo Sergio Valle. Exatamente isto, somente mudança de rótulos. Continue acompanhando. Um abraço.

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