Whisky

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Desvendando Nº 27 - The Balvenie DoubleWood 12 Anos

Um whisky que vem sendo cada vez mais valorizado fora de seus domínios.


A destilaria Balvenie recebe seu nome do Castelo de Balvenie, onde foi construída em 1892 pela família Grant, que já havia fundado a Glenfiddich em 1886. É extremamente incomum uma destilaria ter o mesmo dono durante sua história, mas tanto Glenfiddich quanto Balvenie fizeram isso, na localização original, e são vizinhas. Uma faz o malte mais vendido, a outra é o máximo do luxo, mas as duas foram erguidas em condições precárias, com alambiques de segunda mão. O de Balvenie é mais bulboso, vindos da Lagavulin, característica que contribui para a personalidade única do whisky.

A Balvenie foi construída porque a demanda estava ultrapassando a quantidade fornecida pela Glenfiddich. Também permitiu à família Grant assegurar os direitos da água ao local e proporcionou mais uma variação para os blends da empresa.

A destilaria também mantém a maltagem tradicional, usando cevada da fazenda da família, que corresponde a 10% da produção total. As maltagens têm uma única chaminé pagode e os fornos ainda são alimentados com carvão e turfa, deixando com isso seu malte levemente turfoso. A destilaria também dispõe de seus próprios tanoeiros para a manutenção dos tonéis e um caldereiro para cuidar dos alambiques.


Um assunto recorrente nos últimos anos tem sido a escolha entre finalizar o whisky ou fazê-lo passar por uma segunda maturação em outro barril. Às vezes o whisky tem que ser transferido de um tonel para outro porque o original sofreu um vazamento, processo conhecido como reacomodação. Nesses casos, o segundo barril teria características tão próximas das do primeiro quanto possível.

Aconteceu que, em 1982, David Stewart, o destilador mestre da William Grant, reacomodou The Balvenie em um casco de xerez, mas isso não foi exposto no rótulo. Em 1993, porém, David lançou The Balvenie DoubleWood, que é maturado em barris tradicionais de carvalho e xerez, e em seguida (1995) The Balvenie PortWood foi lançado.

Embora esteja fisicamente à sombra da Glenffidich, a Balvenie não é pequena: pode produzir 5,6 milhões de litros por ano e conta com uma excelente linha de single malts. As edições regulares de The Balvenie são Founder's Reserve 10 Anos, DoubleWood 12 Anos e PortWood 21 Anos, mas há outras garrafas especiais lançadas ocasionalmente.


O que pude perceber:
Cor âmbar escuro de médio corpo.
Aroma: Seu aroma é impressionante. A primeira coisa que se nota é o aroma pronunciado do sherry. Também percebe-se que é um whisky seco. Depois vem um frutado e um amadeirado suave. No geral o aroma é bem suave, macio. O álcool, para falar bem a verdade, quase não é notado. Sente-se também um pouco de especiarias misturada com um aroma doce, de mel ou algo próximo de açúcar mascavo. Possui também um fundo bem suave de baunilha. Acrescentando um pouco de água achei que, ao invés de liberar os aromas, estes se esconderam, e o que ficou predominando foi o sherry. Em nenhum momento o álcool se mostrou proeminente.
Paladar: começa seco, doce, com um indício de baunilha, e então o álcool se pronuncia um pouco. O final é de especiarias e sente-se mais a influência do sherry. Ele começa suave mas finaliza forte. No meio deste caminho, dá para sentir um pouco de frutado e também canela. Com a água, notei que a baunilha, que antes era sentida no início, sumiu, e as especiarias tomaram conta. O final continua longo, quente e, agora, bem picante.

Um excelente whisky. Bastante complexo, com várias nuances de aromas e sabores. Maturado primeiramente em barris ex-bourbon e depois transferido para barris ex-sherry, dando maior complexidade e caráter ao whisky. Seu teor alcoólico de 43% não é sentido no aroma mas é percebido um pouco no paladar. Não é algo que chega a incomodar.

Tentei experimentá-lo harmonizando com chocolate meio-amargo como vários leitores recomendaram. Acho que o chocolate não é para o meu paladar. Na minha opinião o chocolate mascarou o sabor do whisky de modo que, definitivamente, não adotarei este hábito. Para este whisky, particularmente, o chocolate realçou bem mais o álcool, principalmente na finalização. No geral, sem dúvida, o sherry dá uma nota distintiva no sabor deste whisky. Tentarei manter sempre uma garrafa à disposição.



The Balvenie DoubleWood 12 Anos

Single Malt: Speyside Teor Alc 43%


Depois de passar uma década em carvalhos americanos, de primeiro e segundo uso, o DoubleWood permanece por mais dois anos em barris que antes armazenaram xerez oloroso doce para obter um leve caráter de nozes, de alimentos em conserva e macio.

2 comentários:

  1. Esse whisky é sensacional! Cheio de sabor e muito complexo! Tanto que minha primeira garrafa acabou e eu não consegui ficar sem. Tive que comprá-lo pela segunda vez! E obtive um benefício: a primeira garrafa tinha ABV de 40% e a atual veio com 43%, aumentando ainda mais a complexidade do Balvenie Doublewood.

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    1. É isto mesmo Cesar, as edições antigas eram 40% e as atuais possuem 43% ABV, ou seja, o que já era bom ficou ainda melhor.

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