Whisky

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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Desvendando Nº 28 - Chivas Regal 12 Anos

Já fazia um tempo que não publicava um review de um blended premium. Para preencher a lacuna e atender alguns pedidos, aqui vai um post sobre aquele que já foi considerado sinal de status quando vislumbrado em uma prateleira. Começaremos, como sempre, com sua história.


James Chivas trabalhava com William Edward numa mercearia em King Street, Aberdeen. Após a morte de Edward em 1841, James continuou a empresa com um novo sócio, Charles Stewart. James não via a hora de expandir seus negócios e começou a se especializar em whiskies escoceses com o seu próprio blend, o Royal Glendee. Ele comprava estoques dos destilados mais refinados que descobria e os guardava com cuidado, pois tinha o sonho de criar o blended mais requintado.

Em 1857, James Chivas dissolveu a sociedade com Charles Stewart e se juntou ao irmão John para formar a Chivas Brothers. Eles planejavam ampliar um negócio que já prosperava com um pedido para abastecer o castelo Balmoral, a casa da rainha Vitória nas Highlands. Em 1843, já havia sido concedida a James Chivas uma recomendação real como merceeiro.

Com a vantagem dessa ligação real, o negócio se expandiu incrivelmente. Imitando a rainha Vitória, muitos membros da pequena nobreza britânica vinham à Escócia para caçar, abater cervos, pescar salmão e, é claro, beber scotch.

James e John Chivas foram pioneiros na arte do blending, produzindo blended whiskies suaves e de alta qualidade. Seus standards eram desenvolvidos pelos assistentes de James Chivas, Alexander Smith e Charles Howard, e em 1909 a empresa caminhou para a criação do premium blend Chivas Regal.


Em 1949, a firma foi adquirida pela Seagram, do Canadá, na época em que o Chivas Regal 12 anos era uma das marcas de whisky premium mais vendidas no mundo. O microclima de Speyside é perfeito para produzir os single malts que constituem os componentes principais dos blends Chivas Regal, e uma menção especial deve ser feita à Strathisla, cujo malt whisky rico e encorpado há muito é a parte central deles. Em 1950, a Seagram comprou a Strathisla Distillery e, sete anos mais tarde, para dar conta da demanda, construiu as novas instalações da Glen Keith.

Nos últimos anos em que a Seagram foi proprietária, a marca declinou, mas foi revigorada com sucesso sob a administração eficaz da Pernod Ricard, e novamente é uma das maiores e mais dinâmicas forças do whisky.

Atualmente, Chivas Regal está entre os cinco blends escoceses mais vendidos do mundo, e é uma das poucas marcas verdadeiramente mundiais em termos de distribuição. Por muitos anos, o Chivas Regal manteve uma posição de produto de luxo, e propaganda intensa e consistente assegurou a sua liderança. Hoje, sob o guarda-chuva da Pernod Ricard, um marketing inovador, como um canal de TV on-line de banda larga em sociedade com a Microsoft, tem-lhe proporcionado sucesso em novos mercados.

O que pude perceber:
Cor: dourado claro, médio corpo.
Aroma: após ficar um pouco descansando no copo, o álcool não é perceptível e em nenhum momento ele agride. Cereal, um pouco adocicado, suave, frutas secas. Demorei um pouco para sentir o floral. Tem um cheiro agradável de malte. Acrescentando um pouco de água, imediatamente acentuou os aromas de frutas, maçã, pera e abacaxi com calda. Acentuou também a baunilha. Continuou suave, porém, menos doce. Com uma pedra de gelo some completamente qualquer resquício de álcool no aroma, bem como os aromas de cereais, deixando o frutado tomar conta.
Paladar: começa seco, com especiarias, depois os cereais vão tomando conta. É doce, com um pouco de fruta madura, acho que maçã, e vai finalizando com um toque de baunilha. Assim como no olfato, o álcool não incomoda no palato. Com um pouco de água percebe-se bem o frutado mas a finalização é de cereais e malte. Com gelo, fica ainda mais suave, confirma o frutado, mas ao contrário do que foi sentido no aroma, dá para perceber um pouco dos cereais e da baunilha. A finalização fica curtíssima, um pouco picante, mas são traços, nada muito acentuado.

Um blended para servir aos amigos, com um pouco de água ou uma pedrinha de gelo, para não matar o whisky. Já teve seus dias de glória onde possuir um Chivas era sinal de status e bom gosto. Com a atual oferta de bons whiskies, acabou relegado a segundo plano. Fazia frente ao Black Label, por trazer uma característica floral e frutada, em oposição ao caráter defumado daquele. Para quem não gosta da turfa e quer um blended agradável para o dia a dia, para a happy hour ou beber com os amigos, sem muita pretensão, este é o whisky.




Chivas Regal 12 Anos

Blend Teor Alc 40%


Uma infusão aromática de ervas selvagens, mel e frutos de pomar. Redondo e cremosos no palato, tem sabor rico de mel e maçã madura, além de notas de baunilha, avelã e doce de caramelo com manteiga.

4 comentários:

  1. bom dia!!!
    qual a diferença do chivas que tem a maturação de anos 12, 18.. com chiva extra?

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    1. Josias Junior, a diferença entre os três whiskies vai além do tempo de maturação, muda toda a composição do whisky. Para a confecção do 12 anos, entram whiskies com no mínimo 12 anos de idade. Para a confecção do 18, no mínimo 18 anos são necessários, porém, não quer dizer que sejam os mesmos whiskies, ou seja, o 18 anos não é o 12 envelhecido mais 6 anos. Já o Extra é um whisky sem idade, ou um NAS como é mais comum ser chamado. Nele entram whiskies mais jovens, daí optarem por não declarar a idade no rótulo. Mas ele tem um diferencial que a meu ver faz com que a declaração de idade não seja tão importante. Ele tem uma finalização em barris de sherry, o que deixa o whisky mais redondo e saboroso e que o torna, na minha opinião, um dos melhores blends à venda no mercado. Espero ter ajudado. Um abraço.

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  2. Excelente explanação sobre o exemplar! Curiosidades que não encontramos nem no site dele.
    Sabe algum outro single malt usado além do Strathisla?

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    1. LF Damata, outro single malt usado na mistura em maiores proporções é o Longmorn. Um abraço.

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