Whisky

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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A garrafa infinita: misturando whisky em casa


Misturar whiskies é difícil. Para os Master Blenders, são necessários anos de treinamento para aprimorar suas habilidades, trabalhando lentamente através das fileiras incontáveis de garrafas para assumir a criação de novos whiskies. No entanto, isso não impede que se tente sozinho, em casa. Uma das maneiras mais fáceis de examinar essa faceta do mundo da criação de whisky é fazer a própria garrafa. Melhor ainda, uma garrafa infinita, que nunca se esvazia, sempre que fica com o nível baixo, completa-se com mais whisky.

Atualmente, possuo um barril de carvalho (mas pode ser uma garrafa como sugerido no início do texto) com combinações diferentes em movimento. Tenho um caderno listando tudo o que adicionei nos últimos dois anos. Sempre que eu gosto de um determinado whisky, adiciono uma pequena porção da minha coleção de garrafas abertas. Lentamente estas misturas se movem na direção de se tornar o meu whisky ideal.

No entanto, como em tudo, existem algumas regras a seguir:

COMEÇANDO…

Há dois métodos:

1. Começar com uma garrafa de whisky conhecida e com preço razoável. Depois, adiciona-se outros whiskies conhecidos e do gosto pessoal. Isso dará uma boa base e permitirá que se desenvolva sabores com os quais já se conhece.

2. Começar com uma mistura aleatória de possibilidades, de preferência aqueles whiskies que já estão abertos há um bom tempo e que possuem uma quantidade pequena na garrafa. Lembrando que, uma vez aberta a garrafa, o whisky não dura para sempre.

Enquanto o primeiro método cria um whisky mais confiável e decente, o segundo método proporciona uma satisfação maior com o trabalho subsequente para polir arestas e ajustar a bebida.

TER UM PLANO ANTES DE ADICIONAR QUALQUER COISA

Adicionar qualquer whisky antigo em sua garrafa infinita provavelmente não vai fazer a melhor mistura. No entanto, alguns minutos de pensamento sobre onde se quer chegar pode ajudar a fazer escolhas sensatas. O whisky está muito seco? Adicione algo doce. É muito pesado? Adicione um pouco de whisky mais leve. Precisa de alguma riqueza? Adicione um whisky sherried. Está muito esfumaçado? Adicione algo não turfado. Decisões simples que podem levar a mistura mais perto do whisky ideal.

TER CUIDADO COM A FUMAÇA

O esfumaçado é um sabor poderoso e deve ser usado com moderação. Para uma demonstração, pegue um copo do seu whisky favorito não turfado e adicione algumas gotas de um whisky pesadamente turfado. Você ficará surpreso com o quão pouco é preciso adicionar antes que ele fique bem esfumaçado.

Sempre é possível adicionar um pouco de fumaça ao whisky, mas tirar já fica mais complicado.

NÃO TER MEDO DE EXPERIMENTAR

Quer ver o que acontecerá se adicionar algum bourbon a uma mistura de whiskies escoceses? Continue! Não precisa usar um barril para experimentar, mas numa garrafa, por que não? Pode ser excelente e valer a pena testar. No meu barril não faço isso, mas tenho uma garrafa de restos de whisky. Para ela, tudo vai. Contém whiskies de todo o mundo. Não feche as fronteiras da bebida.

EXPERIMENTAR, EXPERIMENTAR E EXPERIMENTAR NOVAMENTE

O objetivo de se ter uma garrafa infinita é explorar os sabores do whisky. Certifique-se de prová-lo regularmente. Não só para ver como o whisky muda lentamente à medida que os componentes se casam (o whisky é uma mistura complexa de compostos e eles demoram para se acalmar), mas também para liberar espaço para o próximo whisky a ser adicionado.


Boa sorte e sua garrafa infinita nunca será esvaziada.


Adaptação: blog.thewhiskyexchange.com

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Diageo completa 20 anos


Em 17 de dezembro de 2017, a Diageo chegou aos 20 anos. Para comemorar este marco, está destacando momentos memoráveis desde que foi formada em dezembro de 1997. O ano de 1999 marcou o lançamento da icônica campanha "Keep Walking" de Johnnie Walker que transformou a marca à medida que foi lançada globalmente.

Em 1999, Johnnie Walker lançou 'Keep Walking', a primeira campanha publicitária global da marca. Este novo posicionamento transformou Johnnie Walker em líder global e viu a marca crescer em força. A campanha pioneira viu o famoso ícone de Striding Man de Johnnie Walker mudar de direção para parecer avançar, e foi lançado em todos os mercados ao redor do mundo.

O primeiro anúncio de TV "Keep Walking" estrelou Harvey Keitel e foi exibido pela primeira vez em 1999.

Primeiro criado em 1908, o Striding Man tornou-se um dos ícones de marca mais reconhecidos do mundo e simboliza o progresso para todos aqueles que gostam de Johnnie Walker.

Até hoje, Keep Walking usa a metáfora de uma jornada para entregar histórias reais de conquista. Ele inspira as pessoas a pensar em sua própria jornada de progresso - e fazer algo sobre isso.

Como a maior marca de whisky do mundo, Johnnie Walker e seu slogan foram adotados e abraçados em todos os lugares, como um grito de progresso, como encorajamento na adversidade, como uma expressão alegre de otimismo e como o melhor conselho que você provavelmente já ouviu.


Fonte: whiskyintelligence.com


domingo, 14 de janeiro de 2018

Whiskies turfados

Neste artigo, saiba mais sobre a fabricação de whiskies turfados. Uma visão geral de como estes whiskies, que cada vez mais estão caindo no gosto dos apreciadores, são produzidos. E nada melhor do que aprender sobre whiskies turfados com a destilaria que produz os whiskies mais turfados do mercado: Bruichlladich e seu Octomore.



COMO OS NÍVEIS DE TURFA SÃO MEDIDOS?

Como seres humanos, somos bastante sensíveis à turfa e podemos detectar sua presença fumegante, carnuda e deliciosa em níveis muito baixos. Mas o que estamos sentindo não é realmente turfa, são os compostos químicos chamados fenóis que são liberados quando a turfa é queimada. Existem muitos fenóis diferentes, além disso, cada um criando sabores ligeiramente diferentes, como o guaiacol, fumegante e carnoso ou o cresol mofado e medicinal.

Os níveis de fenol são medidos em PPM (Partes por milhão). Esse número é medido a partir da cevada maltada (o material seco pela turfa ardente) e não o espírito final. Então, você não está bebendo 309 ppm quando você bebe um Octomore 8.3, mas a cevada com a qual o whisky foi feito originalmente atingiu esse nível.

Por que não se mede o PPM no whisky? É um padrão da indústria falar sobre fenol no malte, não no espírito, porque o último muda e há muitas variáveis. Além disso, mesmo as medidas de cevada podem ser enganosas, devido ao fato de que existem cerca de seis métodos diferentes de fazê-lo e a indústria está brigando para a adoção de um método único.


QUAL TIPO DE TURFA?

A turfa é uma fonte de combustível barata e conveniente. Atualmente, os destiladores podem escolher a sua turfa, dependendo do efeito desejado, porque diferentes tipos de turfa, que podem ser aquelas mais altas ou mais baixas na camada de turfa ou de partes variadas do país, tem diferentes efeitos sobre a cevada.

COMO TURFAR A CEVADA?

A maioria das destilarias e empresas que produzem cevada maltada turfada para fabricação de whisky usam o método tradicional: queimam a turfa por cerca de 25 horas, depois secam a cevada com ar quente impulsionado por um ventilador.

A Destilaria Bruichladdich, no entanto, trabalhou bastante para evoluir o processo e produzir muito mais turfa na cevada maltada do que normalmente pode ser produzida. O segredo do whisky Octomore é que a fumaça impulsionada é fria, e este processo é feito por cinco dias. O truque é fazer com que a fumaça não aqueça. Se a cevada aquecer e secar, ela não absorverá mais conteúdo fenólico. Além disso, foram desenvolvidas duas técnicas-chave para alcançar seus objetivos: reciclar a fumaça para que ela passe mais de uma vez através do grão e pulverizar o grão com água (o suficiente para que ele não volte a crescer) para que mais fumaça possa impregnar-se.

Apesar dessa diligência e inovação, na verdade não há como saber qual o valor de PPM que a cevada terá até o processo terminar. O PPM muda com base na época do ano, a umidade da turfa e até mesmo a agilidade de quem está colocando o fogo.


COMO SE DESTILA WHISKY TURFADO?

Tendo minuciosamente colocado toda a turfa na cevada, ela parte para a trituração, fermentação e destilação. Fenóis são perdidos durante estes processos. Dependendo da destilação, pode-se perder qualquer coisa entre 60-80% do PPM original. Então, quando o espírito está pronto, ele terá algo em torno de 80% menos de turfa do que quando começou o processo. Tomando como base essa abordagem, isso significa que o Octomore 8.3, na realidade, possui 61.8ppm.

A Bruichladdich não está, no entanto, focada em fazer o whisky de degustação mais gostoso do mundo, mas procura fazer o whisky mais turfado e mais equilibrado possível. A destilaria realmente descarta um grande número de fenóis quando destila, deixando uma proporção maior do que o usual do espírito correr para as "cabeças" (a primeira porção de álcool mais alta que sai do alambique, e que é sempre redestilado). Ao sacrificar esses fenóis, cria-se um whisky mais equilibrado e que tem mais a oferecer do que uma fumaça fortemente robusta.

COMO O WHISKY TURFADO ENVELHECE?

A equipe de Bruichladdich escolhe não adicionar água a Octomore antes que ele seja embarrilado para que o whisky não tome muita influência do barril nos primeiros anos. Além disso, o Octomore também é sempre engarrafado na força do barril, porque os óleos são mantidos juntos em maior resistência e preservam os sabores e as nuances do whisky. Assim que se adiciona água ao whisky os fenóis se abrem e torna-se muito mais esfumaçado, embora os sabores também desapareçam rapidamente.


ATÉ ONDE PODE CHEGAR A TURFA NO WHISKY?

Em poucos anos, os whiskies de Octomore aumentaram dos 80 ppm iniciais para 309 ppm. Existe um limite superior? Certamente, não existe um número concreto, mas há muitas barreiras para novos progressos, incluindo os limites físicos de quanto a cevada pode absorver.


Fonte: blog.thewhiskyexchange.com

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Desvendando Nº 58: Bulleit Bourbon


O Bulleit Bourbon tem suas origens em Nova Orleans, local de chegada da família Bulleit, que imigrara da França no século XVIII. Augustus Bulleit mudou-se para Louisville, no Kentucky, em 1830, e começou a produzir bourbon com a própria receita. É importante lembrar que naquela época o bourbon era destilado em pequenos lotes, método que tem sido resgatado nos dias atuais por muitas empresas.

Augustus chegara ao Kentucky no momento histórico certo: viajantes que seguiam rumo ao oeste do país atravessavam o estado e levavam consigo a boa fama da bebida. Infelizmente isso não duraria muito. Em 1860 Augustus estava indo do Kentucky para Nova Orleans com um carregamento de barris e morreu no caminho, fato que levou também à morte a destilaria Bulleit.

Mas, como toda boa história que se preze, esse não foi o fim da marca de whiskey. Os casos daquele whiskey único passavam de pai para filho e a família sonhava em reerguer a marca. Em 1987, mais de 100 anos após a morte de Augustus, Tom Bulleit, tataraneto de Augustus e dono da Four Roses Distillery, finalmente recomeçou a produção do destilado.


O Bulleit é criado com no mínimo 51% de milho, mas tem alto teor de centeio, cerca de 29%, o que dá a bebida o gosto e o aroma tão característicos. O whiskey é colocado em barris de carvalho branco americano e estocado num armazém tradicional de somente um andar, o que assegura que todo o whiskey mature na mesma proporção, produzindo assim um estilo bem consistente.

A garrafa do Bulleit tem forma oval, parecida com as usadas no meio do século XIX. A Seagram comprou a marca e a repassou para a Diageo.

O que pude perceber:
Características: cobre, médio corpo.
Aroma: amadeirado, doce, baunilha. Um pouco de álcool é percebido, mas nada que incomode. Picante. Canela. Aroma de bolo recém-tirado do forno. Um pouco seco. O clássico bourbon só é lembrado sutilmente. A adição de um pouco de água, além de diminuir o teor alcoólico, libera e realça alguns aromas. Agora aparece um caramelo, baunilha, mel e açúcar mascavo. O álcool desaparece no olfato. Continua doce, mas ficou mais redondo e um pouco menos picante.
Paladar: seco, especiarias, canela. Desta vez, em nada lembra os bourbons standards. O álcool não se mostra evidente. Finaliza com uma sensação de aquecimento da boca e de uma forma longa. A adição de um pouco de água deixa a bebida mais palatável, quebra um pouco a força dos 45% de álcool, deixa mais suave e sedoso, terminando com um pouco de especiarias, de forma média e com menos aquecimento da boca. Embora o amadeirado e a baunilha continuem, juntamente com o caramelo, ficou menos doce e melhor de ser apreciado.


Whiskey que eu tinha uma certa curiosidade em conhecê-lo, fazendo boas expectativas sobre ele. Muito aguardado e comentado quando chegou ao Brasil. Mas confesso que esperava outro nível de sabor, por conter uma proporção maior de centeio em sua composição. Esperava algo mais seco e picante, com menos doçura, menos sabor de milho e baunilha. Não encontrei exatamente isso, mas também não posso dizer que me decepcionei com a bebida, apenas não atendeu minhas expectativas. É um bourbon muito bem feito.

Por isso, posso dizer que é um excelente bourbon para quem está querendo sair do trivial, das marcas mais encontradas no mercado, porque esta bebida está um patamar bem acima. Por enquanto, dos bourbons apresentados aqui no blog, ele está no topo.




Bulleit Bourbon

Bourbon Teor Alc 45%


Aromas ricos, de carvalho, levam a um sabor adoçado, formado entre a baunilha e o mel. O final de média duração possui baunilha e uma pitada de fumaça.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Desvendando Nº 57: Grant's Classic 18 Anos


Mais um review de um whisky que eu gosto muito, inclusive de suas variações e lançamentos diferenciados. Já falei bastante sobre ele aqui e ainda irei falar mais. Trata-se do Grant's, e em particular, hoje, do Grant's Classic 18 Anos.

Não coloquei todas as informações sobre a marca neste post para não ficar repetitivo mas, quem tiver curiosidade e quiser saber a história da empresa bem como outros reviews da marca, pode rever os outros artigos sobre Grant's clicando em Grant's Cask Editions Ale Cask Finish Nº 1, Grant's Cask Editions Sherry Cask Finish Nº 2 e Grant's Family Reserve.

O que pude perceber:
Características: cobre, encorpado, oleoso.
Aroma: fragrância suave, rico, complexo, com mel e especiarias, em seguida, notas delicadas e profundas de frutas. Ameixas, passas, frutas pretas, frutas secas, uvas maduras. Doce, malte, biscoitos de maisena. Amadeirado e seco. Nada de álcool. Os whiskies de grãos fazem um fundo quase imperceptível. Um pouco de chocolate meio amargo. Uma ligeira sugestão de Porto Rubi. Adicionando um pouco de água o que se evidencia são as notas de cereais. Continua o amadeirado e o frutado, com frutas de bastante polpa. Ameixas pretas continuam a dar o tom.
Paladar: macio, suave e ao mesmo tempo encorpado, aveludado, doce com uma certa picância e finalização longa. As frutas pretas como ameixas e passas dão o tom no sabor. Mel, chocolate, um pouco de baunilha e cereais dos whiskies de grãos e as uvas. O final deste whisky deixa uma sensação sedosa na boca, longa, quente e elegante. Notas de um vinho do Porto rico. Com a adição de água, os cereais são realçados, além da baunilha e as notas de especiarias. Diminuiu um pouco a intensidade da finalização que continua picante, mas de uma forma mais suave. Amadeirado e chocolate meio amargo permanecem, juntamente com as passas.


Whisky maturado por no mínimo 18 anos em barris que antes continham bourbon e com uma finalização em barris que antes continham vinho do Porto. A garrafa tem um estilo neo-vitoriano que faz deste scotch uma decoração real em qualquer estante ou armário de bebidas.

É tão equilibrado e suave que não me atrevi a experimentá-lo com gelo. Extremamente complexo, sedoso, suave, aveludado, redondo, e um tanto quanto doce. É preciso tempo para degustar e apreciar tudo o que esta bebida tem a oferecer. O envelhecimento de 18 anos, os 43% de teor alcoólico e a finalização em barris que antes continham vinho do Porto fazem toda a diferença.

Esta garrafa foi adquirida da filha de um colecionador que havia guardado por muito tempo. Hoje, o rótulo está um pouco diferente e a graduação alcoólica baixou para 40%. É outro whisky. Quem tiver a oportunidade de apreciar esta garrafa na versão mais antiga, não irá se arrepender.




Grant's Classic 18 Anos

Blend Teor Alc 43%


Um whisky com equilíbrio perfeito e sabor profundo considerável. Rico e comppletamente encorpado, com notas frutadas dos barris de vinho do Porto nos quais esta bebida é finalizada.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Desvendando Nº 56: Grand Old Parr 12 Anos

“Mantenha a cabeça fria por meio da temperança e os pés quentes com exercício. Levante-se cedo, durma cedo e, se quiser prosperar, fique de olhos abertos e boca fechada”.


Este era o lema e guia de vida de Thomas Parr, lendária figura de inglês folclórico cujo túmulo encontra-se na abadia de Westminster e que, segundo uma tradição inverossímil, teria vivido 152 anos, entre 1483 e 1635.

Em 1871, o nome de Old Parr foi tomado emprestado por dois blenders famosos, os irmãos Greenlees, para ser usado no whisky da dupla. Agora, sob o comando dos gigantes industriais da Diageo, a marca continua a fazer sucesso no Japão, na Venezuela, no México e na Colômbia. No Brasil também tem seus seguidores que apreciam o estilo distinto da bebida.

Com sua garrafa de desenho especial, de seção quadrada e vidro marrom, tem por base o single malt Cragganmore.

O que pude perceber:
Características: dourado, reflete a cor da sua caixa. Encorpado, bem oleoso.
Aroma: um álcool bem sutil seguido de um amadeirado. Malte, amêndoas, chocolate amargo. Um pouco esfumaçado. Um pouco de frutas cítricas também aparece. O acréscimo de um pouco de água libera os aromas dos whiskies de grãos, com notas características de cereais crocantes. O álcool fica suavizado, quase imperceptível. Torna-se mais herbáceo, mais floral. A fumaça se contraiu bastante.
Paladar: uma profusão de sabores. Amadeirado, frutado, uma mistura de frutas cítricas com um pouco de frutas cristalizadas, ameixa, biscoito, malte e um pouco de fumaça. Aparecem notas de baunilha no fundo e finaliza com uma certa picância. Amêndoas e chocolate ao leite estão presentes na finalização. Com um pouco de água se torna outro whisky. Ênfase mais nos florais, nos cereais, com um toque condimentado e a fumaça aparecendo somente na finalização. O whisky deixa na boca um certo gosto de frutas cristalizadas, algo parecido com ameixas secas.


Sempre ouvi em vários reviews que este é um whisky para se beber com gelo. Não sou muito adepto da inserção de gelo no whisky mas vamos testar para ver o que acontece e até mesmo para ter informação para os leitores.
O gelo de cara faz com que os aromas se contraiam. Por outro lado, deixa o whisky mais refrescante. Volta o aroma do malte e da madeira. A fumaça não está presente. Há um fundo dos whiskies de grãos, que aparecem sutilmente.
No paladar voltam as frutas cítricas e agora talvez uma maçã ou abacaxi. Um pouco de ervas também podem ser notadas, ervas verdes, de tempero. Um defumado muito sutil na finalização.

É um whisky bastante conceituado e apreciado no nordeste. Aqui no sudeste, nem tanto. No sul, talvez poucos o conheçam. Na minha opinião, um excelente blended para a sua categoria, na faixa dos 12 anos e um ótimo custo benefício para torná-lo o whisky do dia a dia. Dá para encontrá-lo mais barato que sua concorrência, levando assim muita vantagem. Ele entrega bastante aroma e sabor a um preço relativamente em conta.

Considerei um whisky complexo em seu aroma e paladar. Há muita coisa para distinguir fazendo uma degustação com calma. Dá para brincar bastante com este whisky, porém achei que a água e o gelo não funcionaram muito bem para ele. Preferi apreciá-lo puro. Para mim, funciona melhor. A água e o gelo mascaram muito de seus aromas e sabores.

Tudo bem, no nordeste é quente, adicione gelo. Em baladas ou festinhas, onde não se está prestando atenção nas nuances da bebida, adicione gelo. Mas se quiser apreciá-lo em toda a sua plenitude, tente puro.

Ah, mas este não é um whisky para ser apreciado, degustado, é um blended. Qualquer whisky pode ser apreciado. Vai do gosto de cada um. Se há um whisky que você possua no momento e é o que faz você feliz, não importa qual, aprecie. Com moderação.




Grand Old Parr 12 Anos

Blend Teor Alc 40%


Malte acentuado, uva passa e notas de laranja no nariz, com alguma maçã, toques de frutas secas e talvez turfa. Vigoroso no palato, com sabores de malte, uva passa, caramelo queimado e açúcar mascavo.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O que é uma destilaria fechada?

Recentemente falamos num post sobre o renascimento de algumas destilarias fechadas ou “perdidas”. Hoje vamos falar um pouquinho mais sobre elas. Desde os primeiros dias da produção de whisky, as destilarias aparecem e desaparecem. Algumas faliram, algumas se fundiram, algumas literalmente explodiram, e a paisagem escocesa está repleta de restos da destilação histórica. No entanto, este ano foi movimentado para as destilarias perdidas da Escócia.

Destilaria Brora
Não é todo o dia que se anuncia que uma destilaria fechada irá reabrir, mas três em sequência é algo inédito. No início de outubro, a Diageo anunciou que irá reabrir Brora e Port Ellen, ambas fechadas por mais de 30 anos. Para não ser ultrapassado, em seguida, Ian Macleod, dono de Glengoyne e Tamdhu, anunciou que a destilaria Rosebank, fechada desde 1993, também seria reaberta.

POR QUE AS DESTILARIAS FECHAM?

Enquanto os amantes de whisky possuem uma visão mais romântica, as destilarias de whisky são, no final das contas, empresas. Infelizmente, isso significa que as decisões de negócios são feitas e as destilarias fecham. Às vezes, como era mais frequentemente o caso no passado mais distante, as empresas entravam em falência ou não podiam se dar ao luxo de manter as destilarias abertas. No entanto, mais recentemente, houve mais decisões pragmáticas - quando a indústria de whisky não está indo tão bem, as empresas que possuem várias destilarias simplesmente fecham algumas delas.

Destilaria Port Ellen
Foi o que aconteceu no caso de Port Ellen, Brora e Rosebank. Em 1983, o ano em que Port Ellen e Brora fecharam, e uma década depois, no caso de Rosebank, muitas destilarias em toda a Escócia pararam a produção. A demanda por whisky caiu e os produtores precisavam economizar dinheiro. 

The Distillers Company Ltd, proprietários das três destilarias, decidiram que eram excedentes aos requisitos e as fecharam. A destilaria Caol Ila produziu whisky semelhante a Port Ellen, Clynelish produziu whisky suficiente para suprir a Brora (que estava bem ao lado) e Glenkinchie cumpriu as necessidades da empresa para ser o whisky leve das Lowland, para a qual Rosebank era conhecida.

Na época, os single malts não eram tão populares e os fechamentos não causavam grande protesto. No entanto, anos depois, os whiskies de todas as três destilarias vieram a ocupar um lugar de grande prestígio e suas garrafas valorizaram.

POR QUE OS WHISKIES DE DESTILARIAS FECHADAS CUSTAM TANTO?

Uma pergunta simples com muitas respostas. A mais fácil delas é apenas a raridade: as destilarias fechadas não fazem mais whisky e, à medida que os estoques vão baixando, há por consequência menos whisky disponível a cada dia. Quer se trate de garrafas antigas, cheias há anos, ou barris de whisky, não haverá mais quando tudo se esgotar.

Além disso, os whiskys que ainda estão em barris estão envelhecendo. Com isso, o preço está aumentando graças a não só os anjos que tomam sua participação, mas também os custos habituais ano a ano para cuidar de um barril até a maturidade.


Felizmente, embora os proprietários (e antigos proprietários) de destilarias fechadas não tenham muito estoque, os engarrafadores independentes estão ajudando a preencher as lacunas. Gordon & MacPhail, Signatory, Douglas Laing e Hunter Laing, têm grandes estoques de destilarias perdidas.


Fonte: blog.thewhiskyexchange.com